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Conheça mais sobre Abel Braga, o novo treinador do Cruzeiro

Técnico foi contratado para substituir Rogério Ceni

O Cruzeiro tem um novo comandante. O consagrado Abel Braga foi o escolhido e terá a dura missão de salvar a Raposa de um inédito rebaixamento em sua história. Na sua bonita carreira, Abel acumula experiência, glórias e trabalhos que o credenciam a resgatar o Cruzeiro de um possível descenso.
Nascido em 1 de setembro de  1952, o treinador de 67 anos está inserido no futebol há muito tempo. Antes de assumir a prancheta e o boné, Abelão teve uma boa carreira como jogador, colecionando passagens por grandes clubes do futebol brasileiro, como Vasco, Fluminense e o próprio Cruzeiro. Na Europa, o ex-zagueiro jogou pelo Paris Saint-Germain.

Como treinador

Em 1985, Abel assumiu o Goytacaz (RJ), clube onde ele havia acabado de se aposentar como jogador. Depois, passou por Botafogo, Santa Cruz e Inter, onde foi vice-campeão brasileiro de 1988 e venceu o místico Gre-Nal do século. Foi o começo de uma carreira longínqua, duradoura e com passagens por vários times do Brasil e do mundo.
Após isso, Abel assumiu o time português Famalicão. Lá, o técnico fez bom trabalho, subindo a equipe à elite nacional e na outra temporada conseguido manter o pequeno time na primeira divisão local. Depois, Abel assumiu o tradicional Belenenses e fez algo parecido. Subiu a equipe, ficou na primeira divisão e até atingiu o sétimo lugar na competição nacional.
Após a passagem por Portugal, Abelão retornou ao Brasil e rodou por variados times, como Vasco, Athletico, Coritiba, Paraná, Atlético-MG e Botafogo. Nesse período, o comandante também teve uma passagem pelo Olympique Marseille, da França.

Ponte Preta e as semelhanças com o atual momento do Cruzeiro

Em 2003, Abel assumiu a Ponte Preta com o objetivo de evitar o rebaixamento da equipe campineira. Assim como o atual Cruzeiro, a Macaca passava por um momento financeiro extremamente caótico. Na verdade, é possível afirmar que o momento era até pior. O time devia mais de nove meses de salários e mais de dez jogadores deixaram a equipe no meio do campeonato. Além disso, a Ponte escalou um jogador irregularmente e chegou a perder seis pontos. Mesmo recebendo propostas de vários times, Abel cumpriu sua palavra e, a trancos e barrancos, salvou a equipe da queda. Ele é ídolo do clube de Campinas até hoje.
No ano seguinte, Abelão assumiu o Flamengo e levou o time à final da Copa do Brasil de 2004. Entretanto, o time foi derrotado pelo Santo André no Maracanã lotado e perdeu o título. Essa derrota criou uma grande resistência da torcida flamenguista com Abel, o que foi um adversário em sua próxima passagem pelo Fla, em 2019.
Em 2005, o técnico passou por uma situação parecida. Foi vice-campeão da Copa do Brasil com um grande carioca perdendo para um time do interior paulista. Nesta oportunidade, o Fluminense caiu para o Paulista de Jundiaí.

A glória máxima

Após algum tempo, Abel voltou ao Internacional. Desta vez, o treinador fez história. Herdando um excelente trabalho de Muricy Ramalho, que havia sido vice-campeão brasileiro com o Inter em 2005, o novo técnico do Cruzeiro conduziu o Inter ao primeiro título de Libertadores de sua história e no final do ano de 2006, o clube bateu o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho e se sagrou campeão Mundial de Clubes da FIFA. Esses títulos foram muito importantes para o Colorado, afinal, o rival Grêmio já havia conquistado eles na década de 80 e 90, o que incomodava muito a torcida vermelha.

Fluminense, Fred e Thiago Neves

Depois disso, Abel passou um período no mundo árabe. Em 2011, retornou ao Brasil para treinar o Fluminense. Ficou em terceiro no Brasileirão e deixou saneado um trabalho que seria extremamente vitorioso em 2012. No ano seguinte, o Tricolor venceu o Carioca e o Brasileiro. Essas conquistas passaram diretamente por Abel, Fred e Thiago Neves. Agora, sete anos depois, esses nomes voltam a se encontrar no Cruzeiro, e é esperado que o bom relacionamento que eles tiveram no Flu se repita, para que o ambiente celeste volte a ter paz e que a dupla de medalhões consiga  jogar novamente um bom futebol.

Inter, Al-Jazira, Flu e clube do vinho

Passado 2012, Abel retornou aos clubes onde teve maior sucesso na carreira: Internacional e Fluminense. Todavia, essas novas passagens não foram marcantes e vitoriosas como as anteriores. Ademais, o técnico também trabalhou no Al-Jazira, onde, outra vez, treinou Thiago Neves.
No atual ano, Abel protagonizou outro retorno, desta vez ao Flamengo. Em uma passagem polêmica e conturbada, Braga foi duramente criticado por parte da imprensa e maioria esmagadora da torcida. O trabalho e o estilo de jogo não agradavam, apesar dos bons resultados, os críticos alegavam que o time teria potencial para oferecer muito mais.
Após uma grande pressão sofrida pela torcida e por parte da imprensa, liderada pelo jornalista Mauro Cezar Pereira, criador do termo “Clube do Vinho”, que significava que pessoas da imprensa aliviavam nas críticas ao técnico por questões de amizade, Abel não resistiu e se demitiu do cargo de treinador do Rubro-negro.

O que Abel Braga pode oferecer ao Cruzeiro?

Apesar de todo o caos que vive o Cruzeiro, algumas coisas faltaram ao promissor Rogério Ceni para que o trabalho deslanchasse: melhor tato com o elenco; escolhas mais corretas; proteção da diretoria e tempo. Ceni é um técnico experimental, que precisa de espaço, tempo e liberdade para botar suas ideias em prática e funcionamento pleno. A situação do Cruzeiro não permite. O time vive uma crise política, financeira e técnica. É necessário um nome com experiência, culhão e costas largas para domar o ambiente infernal que o clube tem atualmente.
Conheça mais sobre Abel Braga, o novo treinador do Cruzeiro
Treinador já comandou treino no Cruzeiro – Crédito da foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro
Abel pode dar ao Cruzeiro a tranquilidade interna que o clube precisa. Muito mais conservador que Rogério, Braga deve ser mais cauteloso em algumas situações em relação a seu antecessor.
Agora, a torcida cruzeirense espera que o técnico possa dar um jeito na incômoda situação da Raposa e, assim como em 2003, na Ponte Preta, vencer todas as adversidades que o clube enfrenta e evitar o inédito rebaixamento.

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