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Há um ano, o Cruzeiro vencia jogo ida da final da Copa do Brasil; comparamos os times

No dia 10 de outubro de 2018, o Cruzeiro venceu o Corinthians por 1 a 0

Há quase um ano, mais especificamente no dia 10 de outubro de 2018, o Cruzeiro vencia o primeiro jogo da final da Copa do Brasil e encaminhava o sexto título da competição, que viria no dia 17 daquele mês. O adversário foi o Corinthians, que não segurou a Raposa, no Mineirão, e saiu derrotado por 1 a 0, com gol de Thiago Neves.

Mas aquela quarta-feira, que foi um dia de sonho para os cruzeirenses, acabou ficando no passado. A realidade hoje é totalmente diferente e mesmo sem mudar muito o time de lá para cá, o Cruzeiro vive fase tenebrosa, convivendo com uma chance real de ser rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

Pensando nessa mudança de fase tão brusca, o Mais Cruzeiro decidiu comparar os jogadores titulares nas duas ocasiões. Aquele considerado o time principal na reta final do ano de 2018 e o atual. Além das alterações nos nomes, também iremos comparar a fase dos jogadores, já que boa parte das duas equipes ainda é constituída pelos mesmos atletas de antes.

Vamos à comparação:

Goleiro

Fábio (2018 e 2019)

Remanescente do time titular campeão da Copa do Brasil, Fábio é um dos únicos que se manteve em bom nível. Em 2018 fez alguns milagres e atuações estarrecedoras, como quando defendeu todos os três pênaltis cobrados pelo Santos nas quartas de final da campanha do hexa. No ano atual segue salvando o Cruzeiro em muitas situações, evitando que a situação do time estivesse ainda pior. Apesar de seguir bem, falhou algumas vezes em 2019.

Lateral direito

Edílson (2018) e Orejuela (2019)

Apesar de nunca ter justificado o alto investimento feito nele, pelo clube, Edílson viveu no fim de 2018 seu melhor momento com a camisa do Cruzeiro. O jogador foi importante na campanha da Copa do Brasil e deu boa solidez defensiva ao time. Já em 2019, o lateral direito faz temporada tenebrosa e virou reserva. É um dos jogadores mais criticados pela torcida e sempre que joga comete erros graves.

Orejuela foi quem assumiu a posição de Edílson e se tornou um dos jogadores favoritos da torcida. Mas, apesar de demonstrar qualidade defensiva e vigor físico, o lateral colombiano peca muito tecnicamente e acaba “matando” muitos ataques celestes.

Zagueiros

Léo e Dedé (2018) e Fabrício Bruno e Dedé (2019)

Uma das posições de maior declínio técnico. Em 2018, fortalecidos pela excelência defensiva de Mano Menezes e vivendo uma fase técnica espetacular, Léo e Dedé eram como um muro frente aos ataques adversários.

Na temporada atual, Léo se machucou e acabou perdendo a posição para Fabrício Bruno, que apesar de não se comprometer, está longe de alcançar o camisa 3 de 2018. Dedé, por sua vez, decaiu muito em comparação ao futebol que demonstrou no ano passado e que o levou à Seleção Brasileira. O “Mito” não vem tão bem.

Lateral esquerdo

Egídio (2018 e 2019)

Outro remanescente, Egídio também caiu bisonhamente de produção. Mesmo não sendo um grande destaque no ano passado, o jogador tinha um bom rendimento e era dono absoluto da posição. Já neste ano alterna momentos “ok” com outros bizarros e já perdeu a posição algumas vezes, para Dodô e Rafael Santos, jovem da base.

Primeiro volante

Henrique (2018 e 2019)

Outro jogador que segue como titular, mas que abaixou seu nível. Henrique costuma crescer em jogos grandes e assim foi na temporada passada, sendo o capitão um dos pilares do time de Mano Menezes. Em 2019 sofre com a má fase técnica e defensiva do time e muitas vezes recebe culpas que nem são dele. O volante caminh conforme o time.

Segundo volante

Lucas Silva e Ariel (2018) e Éderson (2019)

O primeiro vivia grande fase até o jogo de ida da final da Copa do Brasil, contra o Corinthians. Firme na marcação e com boa saída de boa, Lucas Silva dava excelente equilíbrio ao time celeste. Curiosamente foi sacado do time a partir da final. Seu contrato de empréstimo terminou no meio do ano. Já Ariel, que sempre figurava entre os titulares, ganhou a vaga de Lucas antes da finalíssima e foi bem, controlando o meio de campo. O camisa 5 continua no time, mas vive má fase e não vem jogando, por lesão.

Atual titular ao lado de Henrique, Éderson entrou numa fria. Após a saída de Lucas Silva e Lucas Romero, e muitos testes na posição, o jogador foi o escolhido para assumir o lugar. Apesar da pouca idade, o jovem camisa 15 vem jogando bem e se firmando como titular.

Meia-direita

Robinho (2018 e 2019)

Um dos pilares do Cruzeiro de 2018, Robinho era peça chave do time de Mano Menezes. Em excelente forma física, tendo jogado quase todos os jogos do time no ano, e técnica, o meia se destacou tendo, inclusive, feito gol no segundo jogo da final da Copa do Brasil. O camisa 19 ainda foi o líder de assistências do time na temporada.

Mas, se em 2018 Robinho teve um ano de maestro, em 2019 as coisas estão bem diferentes. Em má condição física e péssimo momento técnico, o jogador não vem agradando. Ter sido obrigado a jogar fora de posição, por Rogério Ceni também não ajudou. A recuperação do time celeste passa muito pela volta do Robinho que o torcedor aprendeu a confiar.

Meia-atacante

Thiago Neves (2018 e 2019)

Autor do gol da vitória no jogo de ida da final da Copa do Brasil 2018, Thiago Neves já começava a apresentar um declínio de seu futebol naquele ano. Mas, apesar de não fazer uma temporada espetacular como a de 2017, o jogador ainda se mantinha decisivo.

Mas, em 2019, tudo desandou. O jogador passou a se arrastar em campo, ter problemas de relacionamentos internos no clube e ser muito criticado pela torcida. Apesar de titular, Thiago Neves é hoje um dos jogadores mais questionados e uma das grandes decepções do time.

Ponta-esquerda

Arrascaeta (2018) e Pedro Rocha e David (2019)

Apesar de não ser titular em nenhum dos jogos da decisão da Copa do Brasil 2018, por estar servindo a sua seleção, Arrascaeta era o titular daquele time. Ponto de desequilíbrio no elenco celeste, o jogador envergava a camisa 10 com maestria e se mostrava capaz de mudar os jogos num lance. Precisou de poucos minutos em campo para fazer o gol que garantiria o hexa celeste, no segundo jogo da final, contra o Corinthians. O uruguaio deixou o time no início de 2019, em transferência polêmica para o Flamengo.

Há um ano, o Cruzeiro vencia jogo ida da final da Copa do Brasil; comparamos os times
De Arrascaeta deixou o Cruzeiro no início do ano, pela portas dos fundos – Crédito da foto: Reprodução/Facebook

Em 2019, o Cruzeiro tem dois nomes que vêm jogando e podem se encaixar na função. O primeiro, Pedro Rocha, vinha sendo escalado de “falso 9”, mas deve voltar à sua posição de origem quando retornar de lesão. Enquanto ele não volta, David tem sido o dono da ponta-esquerda. E não só a posição é algo em comum entre os dois jogadores, como também a má fase. Na atual temporada, Pedro e David vivem de lampejos e até agora não passaram nem perto de apresentar o futebol que Arrascaeta mostrou.

Pedro Rocha peca pela individualidade e, jogando de “falso 9”, perdia algumas de suas principais características. David é muito bom no um contra um, mas sua tomada de decisão e finalização são sofríveis. Por isso, ambos os jogadores têm sofrido com as críticas da torcida e fazem o torcedor sentir saudades do antigo e ingrato camisa 10 uruguaio.

Ataque

Barcos (2018) e Fred (2019)

Muito criticado em 2018, o atacante argentino Hernán Barcos hoje é motivo de saudades. O jogador, apesar dos poucos gols, foi muito importante para o Cruzeiro na última temporada e responsável direto pelo título da Copa do Brasil. Muitos torcedores criticavam “El Pirata” pela pouca efetividade ofensiva, mas esqueciam de analisar sua contribuição tática. Era muito comum ver Barcos marcando em sua linha de fundo defensiva, armando jogadas e abrindo espaços para Arrascaeta e Thiago Neves.

E, se o torcedor celeste sente falta de Barcos, um dos principais motivos é Fred. Apesar de ser artilheiro do time no ano, o jogador vive péssima fase e é um dos mais criticados do time. Há quem peça Sassá e até mesmo Vinícius Popó, da base, como titular, em seu lugar. Também tem de se levar em conta que grande parte dos gols de Fred em 2019 foram em cima de equipes muito inferiores e saindo de penalidades máximas. Se Barcos se destacava pela entrega, este talvez seja o pior defeito do camisa 9 celeste. Pouca raça e movimentação em campo justificam o maldoso apelido de “cone”.

Fred
Crédito da foto: FERNANDO MORENO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Técnico

Mano Menezes (2018) e Abel Braga (2019)

No final de 2018 se viveu o auge daquele chamado de “Manobol”. O estilo reativo e baseado em contra-ataques, implantado por Mano Menezes no Cruzeiro, era um esquema extremamente forte e competitivo. O time mal sofria defensivamente e era mortal quando revidava. Em 2019 o estilo acabou entrando em declínio e o treinador, bicampeão da Copa do Brasil e Mineiro com o time celeste, foi demitido.

Atualmente, Abel Braga comanda o time. O veterano foi escolhido para o lugar de Rogério Ceni, que havia substituído Mano Menezes. Com apenas dois jogos, uma derrota e um empate, ainda não é possível avaliar o trabalho de Abel. O treinador tem a missão de recuperar o Cruzeiro e evitar uma inédita queda para a Série B do Brasileirão.

Com a análise é possível ver alguns dos sintomas da má fase celeste. Além dos momentos político e financeiro conturbados, o time não repôs a altura suas perdas e os que ficaram, em sua maioria veteranos, pioraram em muito seu desempenho. Isso pode ser apenas algo passageiro, mas também pode significar o declínio da carreira destes atletas.

O que se tem certeza é que o torcedor celeste sente muitas saudades do período de um ano atrás. Como tudo desandou tanto em tão pouco tempo?

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