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Opinião: derrota do Cruzeiro para o Cuiabá é de total responsabilidade de Ney Franco

O Cruzeiro voltou a perder na Série B, dessa vez para o Cuiabá, fora de casa, por 1 a 0, e amarga a 17ª colocação na competição, primeira dentro da zona de rebaixamento para a Série C. E apesar de mais uma fraca atuação individual e coletiva, a derrota da vez tem um único culpado: o treinador Ney Franco.

Os de Ney foram muitos, foram claros e foram crassos. Exceto para ele, é claro, vide sua coletiva pós-jogo, na qual fez uma leitura de jogo e de seus próprios jogadores totalmente na contramão do que se viu em campo.

A escalação

Após uma grande vitória sobre a Ponte Preta, Ney Franco fez o que parecia mais difícil e conseguiu errar na escalação do time. Havia somente um desfalque em relação ao time que havia enfrentado a Macaca, o ponta Airton, e tendo opções mais parecida com o camisa 77 como Welinton, reintegrado mas ainda não relacionado, e o próprio Caio Rosa, Ney optou por Maurício. Além de viver má fase, o camisa 11 mostrou que pode ser mais útil entrando no decorrer dos jogos, mas começou como titular.

E como se não bastasse, Maurício começou centralizado, com Ney Franco tirando Régis da posição e o deslocando para a direita, mesmo o camisa 10 tendo feito seu melhor jogo pelo Cruzeiro uma partida antes atuando na posição. Foi feita uma salada horrorosa do substituir um jogador por outro com característica totalmente diferente e ainda arrastar o melhor jogador de meio para a posição.

Na prática

E com a bola rolando parece que quanto mais Ney Franco treina, pior fica o time. O que se viu em campo foi uma equipe espaçada, com jogadores muito distantes um do outro, contrariando a tendência mundial do futebol e facilitando a vida de um Cuiabá pouco físico, com maior preocupação na marcação. A melhor arma do Cruzeiro, o lateral Matheus Pereira, pouco agrediu. Os volantes não se aproximaram da área e Sassá correu isolado.

No Cruzeiro não há aproximação. Se não há aproximação não existe toque de bola. Se não existe toque de bola não tem controle e nem criatividade. Sem isso nao acontecem finalizações. Sem finalizar, sem gols. Sem gols, sem vitória. Sem vitórias, Série C.

Treinador Cruzeiro
Ney Franco tem cinco jogos pelo Cruzeiro, duas vitórias e três derrotas – Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Os relacionados

E o que fazer quando o time vai mal? Olhar para o banco. E nisso Ney Franco parece ser amador. Tudo já começa quando ele simplesmente esquece da existência de nomes como Welinton e Zé Eduardo. O primeiro, único ponta de velocidade no elenco além de Airton, deveria ser seu substituto imediato. Desde que foi reintegrado ao elenco a pedido do próprio Ney, não foi nem relacionado. O segundo foi tirado do América-RN e a exemplo do ponta citado nem vai para os jogos. Por que, então, o trazer de volta e ceder 15% de seu passe ao time nordestino para isso? É a vontade de se desfazer de seus jovens?

As substituições

E enfim chega a hora das mudanças. Primeiro, mesmo com o time mal e com cinco alterações disponíveis, Ney Franco não mexe no intervalo. Ruim, mas dá para entender. Afinal é nesse momento que o treinador corrige o time, dá instruções e acerta posicionamento. Pois bem, na volta ao jogo, com seis minutos, Ney chama jogadores do banco. Mais uma vez.

Por que então não substituir ao intervalo? Por que jogar fora todas as instruções dadas? Por que não mexer já no vestiário e organizar o time por inteiro, invés de picotar instruções com somente seis minutos de segundo tempo. Por que não usar o intervalo, que não conta como parada no jogo? Só Ney sabe.

Os escolhidos de Ney Franco

Mas pior do que a hora de fazer é a forma de fazer. E quando as plaquinhas levantaram, acredito que nenhum torcedor ou comentarista tenha pensado “é isso!”. Mas pode ser que só Ney Franco entenda de futebol. Nada explica tirar de uma só vez os dois meias de armação de uma equipe que não cria e colocar um ponta ou lateral ou meia e mais um centroavante.

Opinião: derrota do Cruzeiro para o Cuiabá é de total responsabilidade de Ney Franco
Régis, apesar de ter jogado mal, foi muito prejudicado pelas escolhas do treinador – Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Mas essa mudança, já desastrosa por si só, ficaria ainda pior quando o ponta esquerda Arthur Caíke virou ponta direita, o atacante Sassá virou ponta esquerda, o ponta direita Rafael Luiz virou armador e o atacante e improdutivo Marcelo Moreno passou a comandar o ataque. Inclusive me permito abrir um parênteses sobre o camisa 9, figura importante fora do campo, mas prejudicial dentro dele. Dois gols no ano, um de pênalti, e desempenhos no mínimo desastrosos parecem piada quando vemos que Moreno jogou todos os jogos no qual esteve disponível em 2020.

O show de horrores continua

E se o time já não criava, com três jogadores fora de posição, volantes que não se aproximam e nem um único jogador com poder de armação, o Cruzeiro se tornou um amontoado, lembrando literalmente o famoso time da pelada de domingo, já nos minutos finais do “ranca”, é claro.

A entrada de Ariel Cabral não rende muito assunto, pois este era o único volante disponível no banco e Henrique precisou sair. Mas se pulamos essa, as próximas tem de ser citadas. Apesar das mudanças terem sido ao mesmo tempo, citarei-as separadamente.

Caio Rosa

Caio Rosa realmente entrou mal, na posição ocupada por Sassá, substituído. Mas sem espaço para progredir e ninguém para se aproximar, responsabilizar um jogador com menos de 100 minutos no profissional chega a ser cruel, assim como é com Maurício, ambos meias de seleção sub-20 mas que ainda em suas curtas carreiras não encontraram um treinador minimamente capaz de treiná-los. A impressão que dá é que estes jogadores recebem as instruções: “entra lá, joga ali e vai pra cima deles garoto”. Bem, há algumas décadas as coisas já não funcionam assim

Roberson

E por fim há de ser citado “o menino dos olhos” de três treinadores do Cruzeiro em 2020. Roberson, que em mais de 10 anos de carreira tem somente três vezes o número de gols que Zé Eduardo, nosso menino do começo do texto, tem em 10 jogos. Mas quem vai para o jogo? E quem entra? Não preciso nem falar.

Não tenho nada contra Roberson, aliás, tem jogadores com desempenho pior que o dele no Cruzeiro em 2020. Mas sua dificuldade em dominar a bola ou realizar ações simples de jogo me fazem repensar no porque não investi na carreira de jogador e sim na de comentar sobre eles. Bom, segundo Ney Franco o camisa 37 tem característica de armação. Só se for na armação de pegadinhas contra o torcedor, juntamente com o treinador.

Opinião: derrota do Cruzeiro para o Cuiabá é de total responsabilidade de Ney Franco
Mais inexplicável que a contratação de Roberson são suas frequentes entradas nos jogos – Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Foi a 13ª vez que o atacante ou meia, não sei, jogou pelo Cruzeiro em 2020. Marcou um gol, num jogo de caráter quase amistoso, já resolvido. Popó, Caio Rosa, Welinton e demais atletas não tiveram esse número de chances juntos. Imagina-se que Roberson treine bem. Muito bem. Mas se o time da Raposa é escalado por desempenho nos treinamentos é melhor que comece a jogar quem treina mal, pois os que tem bom desempenho parecem gastar tudo na Toca II.

Próximos desafios do Cruzeiro

O Cruzeiro tem agora dois adversários diretos contra o rebaixamento para a Série C: Sampaio Corrêa, com um ponto e três jogos a menos, e o lanterna e nocauteado Oeste. Dois jogos com obrigação e grande possibilidade de vitória. Se ganhar, lindo, ótimo, e Ney Franco se garante para comandar o time contra adversários mais fortes. Se perder, a vaca vai para o “pré-sal do brejo”. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. E a Série A fica mais longe do que nunca.

*Este texto é opinativo e não reflete, necessariamente, a opinião do Mais Cruzeiro e de seus demais colaboradores

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