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Opinião: se Sérgio Rodrigues não perder as ilusões, o Cruzeiro não dará um passo adiante

Presidente precisa abandonar seus devaneios, se reconectar com a torcida e pedir desculpas

Faltando três meses e meio, um pouco mais de um turno para o fim da temporada, o Cruzeiro possui pouquíssimas chances de subir. Depois de diversas assertivas onde se dava como certo o acesso, a realidade bate, e já há reportagens que afirmam que Sérgio Rodrigues trabalha com a hipótese de não subir. Até o mais iludido dos homens, sente o drama da realidade.

Sérgio sempre se mostrou mais um sonhador do que um gerente realizador. Desde a sua construção de campanha até no exercício do cargo da presidência. Os meios parecem não importa muito a ele, tão pouco a realidade vigente. Declarações constantemente escancaram o seu mundo de delírio que o mesmo submete o Cruzeiro.

O ato de firmar que mira o Manchester City, o Liverpool, mesmo estando na zona de rebaixamento da Série B, é um prato cheio para zombaria. Um clube que não para de cair já se vê no topo. Onde? No belo sonho presidencial. Em momentos assim, o SSR deveria mais se preocupar e estudar histórias como a do Guarani, da Portuguesa, Rangers.

Presidente do Cruzeiro
Liverpool e Manchester City? – Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Sérgio Santos Rodrigues e o poder

Outro fato que chama a atenção do Sérgio é seu deslumbre no poder. Talvez nunca antes na história do Cruzeiro, um presidente chegou com tanta força de fora para dentro. Certamente o mesmo acha que isso se deve a algum predicado técnico de seus cursos que ele divulga aos ventos, orgulhoso de sua estadia no Real Madrid, CBF e Universidade do Futebol. Bons goles no cálice da ilusão.

Sérgio Santos Rodrigues teve uma corrente positiva e massiva devido ele ter sido interpretado pela torcida e pela opinião publica como o oposto a dupla Wagner Pires de Sá e Itair Machado. Justo pensamento. Ele foi candidato opositor a chapa quando Wagner foi eleito presidente. O fato do Sérgio ter seus títulos e diplomas não interferiram na tomada de decisão da torcida. Serviram para endossar apoio, mas sem os “papeis” o endosso se daria de outra forma, de qualquer outro modo.

Numa recente entrevista ao Jornal As da Espanha, Sérgio ofereceu do seu cálice para Javier G. Matallanas, jornalista que assina a transcrição da entrevista. Dentre seus delírios planeja visitar a Espanha, o Real Madrid, em Outubro ou Novembro, por o clube da capital espanhola como modelo. Além disso, afirma que o Cruzeiro utiliza seis jogadores sub-21 que pertence ao clube com regularidade (?).

Veja também: Carta aberta ao presidente Sérgio Santos Rodrigues

O departamento de futebol

Ao Globo Esporte, no último dia 12, data original na publicação da entrevista, Sérgio voltou a defender o departamento do futebol, e para isso utilizou dois argumentos: I) o empréstimo realizado do João Lucas e II) a venda do Edu, acreditem (!). Segundo SSR o João Lucas tinha um salário que não era baixo, e com isso foi um grande feito ter conseguido emprestá-lo. João Lucas foi contratado pelo Conselho Gestor, sendo assim, Sérgio de modo velado joga a responsabilidade ao grupo de emergência, porém fica a dúvida: Qual o salário da renovação do Ariel Cabral? E o do lateral esquerdo Giovanni? Esses paralelos devem ser feitos.

A venda do Edu foi tratada como grande negócio pelo o fato do jovem ganhar um salário altíssimo por ser sexta opção, na avaliação do Sérgio. Edu na partida mais difícil do ano, atuou e foi bem. Além do mais, Edu era sexta opção por opções dos técnicos que passaram no clube, os mesmos que já foram demitidos e os mesmo que tratavam o lateral Matheus Pereira como dispensável. Vocês confiam na análise desses técnicos?

Se Sérgio Rodrigues não perder as ilusões, o Cruzeiro não dará um passo adiante
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Esperança e decepção

Quando Sérgio Santos Rodrigues foi eleito, nele foi depositado uma enorme esperança para novos trilhos do clube. E isso não se remetia apenas ao rebaixamento, mas também a parte política. A expectativa que uma grande reforma fosse feita para adesão de mais pessoas dispostas a participar da vida política do clube e não ficar restrito a um pequeno grupo, fácil de ser manipulado ou controlado pelo poder econômico.

Porém Sérgio esvaziou esta agenda, e ao que parece, essa questão não é pauta no novo estatuto. Decepção ao torcedor, que o já o trata como o mais do mesmo, ou até mesmo como um embusteiro. O que reforça o pensamento do torcedor são membros da antiga gestão, participarem da gestão do SSR, até mesmo os conselheiros remunerados.

Ao sentir o calor da pressão, Sérgio Rodrigues tentou diversas vezes desqualificar a crítica dos torcedores e dos seus representantes informais, em um levante de que agora o Cruzeiro tem profissional, e vocês torcida são palpiteiros. O ápice foi em sua ultima live quando chamou os torcedores de ‘guerreiros dos teclados’. Uma guerra conflagrada entre o mandatário e a torcida.

Pois é, aqui estamos, numa situação calamitosa e pré-falimentar. O que o Sérgio Rodrigues fará? Não sei, mas os indicativos são péssimos, dado sua falta de clareza da atual situação e na esperança vã de que o trabalho está sendo feito e em breve iremos comer o fruto sagrado. O que deveria ser feito? Encarar a situação real, e não se fixar em um cenário hipotético e distante.

Se Sérgio Rodrigues não perder as ilusões, o Cruzeiro não dará um passo adiante
Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Próximos atos

O primeiro ato seria um pedido de desculpas a torcida. A torcida não aguenta a postura do Sérgio Rodrigues, que é interpretada como de um sujeito arrogante. O que o Cruzeiro vive foge de qualquer planejamento. Acione seu ‘stop loss’, presidente. É hora de assumir o erro, reconhecer e ser franco com a torcida. Erros no departamento de futebol, nas contratações de técnico, na formação do elenco, em não levantar dinheiro, nas tomadas de decisões.

O segundo ato seria uma convocação a todos cruzeirenses que estariam dispostos a ajudar, a pensar o Cruzeiro, todos, excluindo apenas os que agiram de má fé! Disto ter humildade necessária, engolir as vaidades, esquecer as ‘certezas’ e atender as melhores ideias. Sérgio Rodrigues é o presidente, ele pode estabelecer os limites e as premissas, mas todos que puderam contribuir para pensar o que será daqui pra frente será necessário. O terceiro ato, e o mais difícil, a renegociação do que fora prometido para 2021, e claro que a força de negociação se calca no primeiro e segundo ato.

Dívidas e deveres

Para cada passo há gestos práticos para demostrar que a intenção será verdadeira. Ao lado do torcedor seria cancelar o novo estatuto e formular outro. Fazer um banco de dados com estatutos de clubes mais abertos para a participação dos sócios, buscando saber como fazem e fazer as devidas considerações, o que dá certo, o que deu errado e fazer um modelo cruzeirense. Ainda pelo lado do torcedor, assumir a busca implacável a todos que remanescem no clube e agiram de má fé, sendo sócios dos atos da gestão anterior, independente de quem seja. Assumir o compromisso, e a intenção, de fazer auditoria de gestões anterior a do Wagner Pires de Sá. Digo intenção e compromisso, pois por fazer uma auditoria imputa custos.

Pelo lado dos que ajudariam a desenhar a equalização do clube, é a criação de uma comitiva paralela. Não seria uma co-gestão, mas sim um grupo de pessoas ilustradas dispostas a participar com uma convocação pública do Sérgio ao mesmos, independente de atritos anteriores. A partir disso, a temporada de 2021 seria elaborada de forma conjunta no que é mais sensível a sobrevivência do clube. Sérgio Rodrigues ainda seria presidente e ele estabeleceria limites, mas para dar certo o mesmo tem que ser generoso e guardar boa parte de suas convicções e estar aberto ao diálogo.

Se Sérgio Rodrigues não perder as ilusões, o Cruzeiro não dará um passo adiante
Foto: Igor Sales/Cruzeiro

Em busca da sobrevivência

Apenas a coesão das melhores mentes cruzeirenses fazendo rabiscos teóricos, junto com a torcida aderente e se sentindo de fato participativa, e não apenas o “os pagadores da conta” e eventuais convidados podem manter a esperança do Cruzeiro vivo. Em momento excepcional, se toma medidas excepcionais.

É momento de ter grandeza e abandonar o personalismo e atuar em coletivo. A situação do clube é dramática porém já se tem conhecimento do tamanho do problema, portanto o diagnóstico pode ser feito com precisão, e modelar expost fica totalmente factível.

O primeiro passo só depende de uma pessoa, o presidente, mas é necessário grandeza. Se promovem o Cruzeiro como uma nação, é hora de se rouparem de estadistas.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Mais Cruzeiro e de seus demais colaboradores

Veja também: Carta aberta ao presidente Sérgio Santos Rodrigues

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