Início Análises Opinião: deficiências em setores específicos reduzem drasticamente o nível do Cruzeiro

Opinião: deficiências em setores específicos reduzem drasticamente o nível do Cruzeiro

As justificativas para a má temporada do Cruzeiro em 2020 foram e são muitas ao longo do acontecimento. Problemas políticos e financeiros, falta de opções, calendário apertado, calendário espaçado, pouco tempo de trabalho, pressão exagerada, qualidade de treinador, entre outros. Este último ponto explicitado, inclusive, foi um dos que mais foram batidos na tecla recentemente.

É de consenso quase geral que o Cruzeiro tem elenco para estar melhor colocado na 15ª colocação da Série B. Além disso, com Felipão, o argumento de “técnico ruim” também foi por terra. Não que este fosse mentira, aliás, a melhora de rendimento e resultados desde a chegada de Luiz Felipe Scolari foi colossal. Mas ainda assim, o time celeste falha muito e frequentemente perde pontos importantes, como foi na partida de ontem (27), contra o Confiança.

Mas se o elenco é suficiente para estar numa melhor colocação e se o treinador é capaz, o que explica resultados ruins que não deixam o Cruzeiro se desgarrar do Z4 e começar a brigar por algo maior para a Série B? Bom, para mim isso se explica nas graves deficiências em alguns setores específicos do time estrelado.

Problemas graves que superam as qualidades

Hoje, o Cruzeiro possui um bom goleiro, dois ótimos laterais, uma dupla ou até mesmo trio de zaga seguros, dois volantes que dão conta do recado, e os pontas tem tido boa prestação. Então, por que motivos o time não engrena de vez?

Discrepância entre titulares e reservas

O primeiro ponto a ser citado são os reservas. O Cruzeiro tem um elenco curto e pouco profundo, com reservas e titulares tendo uma diferença tremenda de qualidade, ou, quando estes jogam um futebol parecido, é pelo baixo nível do jogo.

E isso fica muito claro quando o time celeste precisa de utilizar jogadores considerados reservas, como Patrick Brey, que até atrapalha a avaliação da capacidade de Matheus Pereira, já que o lateral vindo das categorias de base parece um jogador “World Class” quando comparado ao desastrado homem da camisa 22.

O (não) camisa 10

Outra posição a ser citada é a de armador, uma das mais importantes num time como o Cruzeiro, que tem a obrigação de vencer todos os jogos. Com função de achar espaços, ser um elemento surpresa e criar gols, o meia precisa ter um bom desempenho para furar as retrancas que vão aparecer costumeiramente.

E na Raposa, essa posição é meramente ilustrativa. Régis parece jogar para completar os onze titulares e por não tem ninguém, literalmente ninguém, para a função no banco. Quem poderia fazer a função, o jovem meia Marco Antônio e o ainda sem estrear Giovanni Piccolomo, não ficam disponíveis há tempos. O primeiro por lesão e o segundo por, segundo Felipão, ter chegado muito acima do peso.

Enquanto isso, Régis joga um jogo bom para cada sete ou oito péssimos. Mas isso não é novidade para quem procurou algo sobre a carreira do jogador, há muito marcada por essa dificuldade de manter uma sequência minimamente razoável.

Opinião: deficiências em setores específicos reduzem drasticamente o nível do Cruzeiro
Régis, no momento em que fura um chute de dentro da área – Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

O sempre falso 9

Outra posição que é um peso para o time do Cruzeiro é a de centroavante. Até agora, na Série B, todos os quatro centroavantes que jogaram, fizeram juntos três gols, em 24 rodadas, todos marcados pelo que mais jogou, Marcelo Moreno. Um deles ainda foi de pênalti. Outros dois de bola aérea. Ou seja, com a bola nos pés, é melhor o time celeste ser escalado sem ninguém no comando de ataque.

Observando essas fraquezas, Felipão tem tentado mudar, usando um esquema propositalmente sem centroavante, mas ainda não parece ser o ideal. O centroavante do Confiança, time de meio de tabela da Série B, Renan Gorne, fez na partida de ontem, mais que os “noves” do Cruzeiro em praticamente toda a competição. Demonstrou ter no mínimo um pouco de simpatia com a bola, para receber, ajeitar e finalizar. Os do time mineiro não conseguem nem isso.

Marcelo Moreno
Tem sido mais comum ver Marcelo Moreno assim, comemorando gols de outros jogadores – Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Um time quase bom

Com todas essas deficiências citadas, posso afirmar aqui que o Cruzeiro é um time quase bom. Mas essas posições explicitadas atrapalham tanto, que não deixam aquilo que o time tem realmente de positivo, se sobressair com maior frequência.

O time é seguro defensivamente, mas na hora do último passe ou da finalização, o nível cai de Série B para, com o perdão da hipérbole, amador. E quem não faz, uma hora leva. Nenhum time consegue ficar 38 rodadas sem levar gol. E para piorar ainda mais, existem situações como as de ontem, quando reservas precisam jogar, e o nível cai novamente de forma exponencial.

Ontem o Cruzeiro levou um gol de rara felicidade do adversário, olímpico, e isso pode acontecer. Mas na quase redundante fragilidade de Patrick Brey, o time levou o segundo gol, e empatar se tornou tarefa árdua. Até porque o meia não cria e o ataque não guarda. E contra a Chapecoense, o mesmo Patrick Brey teve três ou quatro erros que poderiam ter ocasionado gols adversários, mas a Chape não aproveitou.

O Cruzeiro é sim, um bom time para a Série B, mas a fraqueza em algumas posições primordiais para o sucesso de um time acabam reduzindo demais as hipóteses da equipe, que, com o conjunto da obra, se torna realmente um time de segunda parte da tabela da segunda divisão.

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