Homem negro com boné e camiseta na cor preta com simbolo da bandeira brasileira no primeiro plano. Ao fundo se vê uma construção com bandeiras de varios países e "Paris 2024" escrito na fachada.

Skatista Brasileiro dá xaxo na torcida verde e amarela: ‘Não é Futebol’ 

Felipe Gustavo repreende torcedores brasileiros que comemoram erros de adversários nas Olimpíadas de Paris 

Existe protocolo para torcer pelo seu esporte favorito? Para o skatista brasileiro Felipe Gustavo, sim! O atleta teceu uma crítica dura aos torcedores brasileiros durante as competições de skate nos Jogos Olímpicos de Paris. Eliminado nas preliminares, o atleta de 33 anos afirmou que o ambiente do skate é de união e respeito, diferentemente do que ocorre em outros esportes, como o futebol. 

Crítica à postura dos torcedores 

Felipe Gustavo chamou a atenção para a atitude de alguns torcedores brasileiros que comemoravam os erros e quedas de skatistas de outras nacionalidades durante as competições. Segundo o skatista, esse comportamento é contrário ao espírito do skate, onde prevalece a camaradagem e o apoio mútuo entre os atletas> 

“O skate é muito família. Dentro do skate ali não tem ninguém torcendo contra ninguém (…) Não é que nem futebol. Eu tento nem ter isso como uma distração, sabe? Acho que a galera realmente não entende. Então, a gente tenta explicar da melhor forma como funciona o skate.” 

Reação durante a competição 

Felipe Gustavo relatou que, enquanto estava na torcida, presenciou brasileiros comemorando as quedas dos adversários. Fez questão, portanto, de corrigir essa atitude, explicando que no skate todos treinam muito para estar ali e merecem respeito, independente do resultado. 

“Como eu estava na torcida aqui ontem, muita gente errou e [brasileiros] comemoravam. Falei: ‘não é isso’. Porque muita gente treinou pra estar aqui todo mundo quer fazer o seu melhor.” 

Cultura de Apoio no Skate 

O skatista enfatizou que a competição no skate é baseada no respeito e na admiração mútua. Ele deu o exemplo do canadense Decenzo, que o incentivou a acertar uma manobra para que ele próprio também pudesse acertar a seguir. Esse tipo de interação é comum no skate, onde os atletas se motivam uns aos outros e torcem pelo sucesso de todos. 

“O Decenzo [canadense], vinha para mim e falava: ‘Vai, mano, se você acertar eu acerto’. Eu não quero que ele erre, quero que ele acerte para eu vir atrás e acertar. É, sei lá, uma admiração pelo esporte, quem anda de skate mesmo a gente quer ver o esporte crescer cada vez mais. Então isso gera uma motivação dentro da pista ali. E é isso, a gente é muito família.” 

Desempenho de Felipe Gustavo nas Olimpíadas 

Infelizmente, Felipe não conseguiu pontos suficientes nas preliminares e foi eliminado da competição em Paris. Ele começou mal nas corridas e, apesar de uma tentativa de reação com uma nota de 93.22 na primeira manobra, caiu nas seguintes e terminou com uma pontuação combinada de 157.89 pontos. Outro brasileiro, Giovanni Vianna, também foi eliminado, enquanto Kelvin Hoefler garantiu vaga na final. 

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Conclusão  

Felipe trouxe à tona uma reflexão importante sobre a diferença cultural entre o skate e esportes tradicionais. Enquanto o futebol, por exemplo, muitas vezes envolve a torcida contra os adversários, o esporte sobre rodas preza pelo apoio e respeito mútuo entre os competidores. Apesar de não ter conquistado uma medalha em Paris, a performance de Felipe no evento demonstra que ele continua sendo uma voz ativa dentro do esporte.